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Definição do padrão digital para o rádio no Brasil
Sáb, 22 de Agosto de 2009 23:27

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, assinou, durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro da Radiodifusão, que aconteceu em maio/09, a portaria que autoriza a consulta pública para a definição do padrão digital para o rádio no Brasil.

 

Segundo o ministro, o objetivo é testar e avaliar em todo o território nacional o sistema mais adequado ao perfil da comunicação no país. Pretendemos testar o sistema digital americano e o europeu nas cidades brasileiras onde há maior dificuldade de sinal”.

O ministro ainda declarou que “a prioridade do Ministério são os municípios não contemplados em processos licitatórios realizados anteriormente, o que promoverá o aprimoramento da universalização dos serviços.

Hoje, abrimos editais de licitação para 64 emissoras de radiodifusão, sendo 55 para rádio em FM  e 9 para televisão”.  O ministro revelou os números do Ministério dizendo que de 2005 a 2009 foram liberadas 2.416 outorgas de radiodifusão, sendo 492 para rádio FM; 60 para FM Educativa; 17 para TV; 31 para TV Educativa; 94 para TV digital; 8 para rádio OM; 330 para RTV e 1.384 para rádio comunitária, contabilizando 2.416 outorgas no período. Testes sugerem que o HD Rádio é modelo mais indicado para o país.

A digitalização do rádio e da TV norteou  as discussões na manhã do dia 20 de maio, durante o 28º Seminário Técnico Nacional de Radiodifusão, evento realizado dentro do 25° Congresso. Enquanto o sinal digital de TV já está presente  em quase vinte cidades brasileiras, o debate sobre a digitalização do rádio está apenas começando. Na avaliação do assessor técnico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Ronald Barbosa, o modelo americano, conhecido como HD Rad é o mais adequado para o país, pois permite uma transição gradual para a nova plataforma. Ronald acompanhou os testes realizados no final de 2008 com o HD Rad em emissoras AM e FM das cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Porto Alegre e conta que os resultados foram positivos em relação à qualidade do som e à robustez do sinal. “O que nós percebemos é que o sinal digital chega mais longe e com melhor qualidade, especialmente no caso das transmissões em FM. Para as transmissões em AM, o sinal ainda precisa ser aprimorado, mas a tecnologia digital permite ganhos não existentes na  analógica”, ressaltou. 

Dos quatro modelos de rádio digital reconhecidos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), apenas dois permitem  a manutenção das faixas de freqüência já em uso no país, o HD Rad e o DRM, desenvolvido na França. O modelo francês foi testado em parceria com algumas universidades federais, mas ainda não foi avaliado em emissoras comerciais. Ronald destaca que o modelo francês apresenta qualidades técnicas muito boas, mas que tem que ser testado em condições semelhantes aos testes feitos com o HD Rad. “Nós, da Abert, nunca estivemos fechados ao modelo francês, mas não foi possível testá-lo por que ele ainda não é utilizado em nenhuma emissora comercial”, declara.  Ronald disse ainda que com a consulta pública sobre o modelo a ser utilizado no país, anunciada pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante o Congresso, vários modelos poderão ser testados nos próximos seis meses e isso vai permitir um debate mais amplo sobre a digitalização do rádio no país, o que ajuda a uma escolha mais criteriosa e discutida.

Os testes realizados com o HD Rad mostraram que o sinal analógico das emissoras brasileiras, tanto em AM como em FM, está sofrendo cada vez mais com as interferências de ruídos produzidos pelo homem. Ronald conta que não era um dos objetivos iniciais do teste verificar a potência e qualidade do sinal analógico,  mas os resultados obtidos sugerem que todo o mapa radiofônico do país deve ser avaliado antes da implantação da tecnologia digital. “O primeiro passo é fazer uma avaliação do parque instalado das nossas emissoras. É um investimento  caro, mas importante para que a transição do analógico para digital seja bem feita”, opina. Franceses apresentam padrão de digitalização.

O ingresso do rádio na era digital foi o grande destaque do painel Mídias e Novas Tecnologias. Representantes da Rádio França Internacional (RFI), os quatro painelistas apresentaram o sistema de transmissão para o rádio digital implantado na Europa (DRM). Para o coordenador técnico da Regional América da RFI, o brasileiro Carlos Acciari, hoje, o grande desafio do rádio é poder "ouvir o que eu quiser, quando eu quiser e onde eu quiser". Acciari afirmou que a questão está baseada, sobretudo, na perspectiva do rádio deixar de ser apenas um difusor para se tornar um provedor. “É muito mais um problema político do que propriamente tecnológico”, disse.

Na verdade, “a tecnologia deve estar a serviço do desenvolvimento humano”. Dentro dessa ótica, o engenheiro francês Pascal Olivier argumentou que, em 1996, quando a Europa adotou o sistema DRM, tinha por objetivo digitalizar um número maior de freqüências. "Por uma questão de estratégia econômica, houve um entendimento que é preciso usar a tecnologia digital e analógica simultaneamente", disse Olivier.  Menos afeito às questões técnicas e mais preocupado com o conteúdo, o diretor de jornalismo da RFI para a África, Henri Perilhou, salientou que  interatividade, mobilidade e gratuidade são três elementos fundamentais para a implantação do padrão digital no rádio. “Confio muito que o meio rádio tem um grande futuro pela frente e, ao mesmo tempo, tenho certeza que a Internet não vai devorá-lo”, avaliou. 

O quarto painelista, Thierry Vachey, chefe do serviço das televisões na direção dos operadores audiovisuais do Conselho Superior Francês do Audio visual, acredita que a transição deve levar em conta a capacidade de adaptação e envolvimento das novas gerações ao novo padrão de digitalização. "As vantagens estão na gratuidade, na qualidade de som e na mobilidade. O programa de rádio não pode se transformar em um programa de televisão, é preciso guardar sua especificidade",  alertou.

Fonte: Revista Amirt/nº 156