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A Existência de Deus - Parte 4
Seg, 30 de Março de 2009 15:42

A crença na existência de Deus é praticamente tão difundida quanto a própria raça humana, embora muitas vezes se manifeste de forma pervertida ou grotesca e revestida de idéias supersticiosas.

e) O argumento da crença universal. A crença na existência de Deus é praticamente tão difundida quanto a própria raça humana, embora muitas vezes se manifeste de forma pervertida ou grotesca e revestida de idéias supersticiosas. Essa opinião é contestada por alguns que argumentam a existência de raças que não têm a menor concepção de Deus. Mas o Sr. Jevons, autoridade no assunto de raças e religiões comparadas, afirma: “Todos os antropólogos sabem que essa concepção já foi para o limbo das controvérsias mortas (...) todos concordam que não existem raças, por mais primitivas que sejam, totalmente destituídas de concepção religiosa! Embora alguém possa citar exceções, sabemos que a exceção não anula a regra. Por exemplo, se fossem encontrados alguns seres humanos inteiramente destituídos de todo sentimento humano e de compaixão, isso não serviria de base para dizer que o homem é, em essência, uma criatura destituída de sentimentos. A presença de cegos no mundo não prova que todos os homens são cegos”. William Evans afirma que “o fato de certas nações não conhecerem a tabuada de multiplicação não afeta a aritmética”.

Como essa crença universal se originou? A maior parte dos ateus parece imaginar que um grupo de teólogos especialistas reuniu-se em uma sessão secreta, na qual inventaram a idéia de Deus e depois a apresentaram ao povo. Mas os teólogos não inventaram Deus como também os astrônomos não inventaram as estrelas, nem os botânicos, as flores. É certo que os antigos mantinham idéias erradas acerca dos corpos celestes, mas esse fato não nega a existência desses corpos celestes. E como a humanidade já teve idéias distorcidas acerca de Deus, isso implica que existe um Deus acerca do qual os seres humanos podiam ter noções errôneas.

Esse conhecimento universal não se originou necessariamente pelo raciocínio, porque há homens de grande capacidade de raciocínio que também negam a existência de Deus. Mas é evidente que o mesmo Deus que fez a natureza, com suas belezas e maravilhas, fez também o homem dotado de capacidade para observar, por intermédio da natureza, seu Criador. “Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Rm 1.19,20). Deus não fez o mundo sem deixar certos sinais, sugestões e evidências indicadoras das obras de suas mãos. “Porque, (os homens) tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se” (Rm 1.21). o pecado deturpou sua visão; perderam Deus de vista e, em vez de ver a Deus por intermédio da criatura, desprezaram-no pela ignorância e adoraram a criatura. Esse foi o início da idolatria. Mas até isso prova que o homem é uma criatura adoradora que, forçosamente, procura um objeto de culto.

Essa crença universal em Deus prova o quê? Prova que a natureza do homem é de tal maneira constituída que é capaz de compreender e apreciar essa idéia, como o expressou certo escritor: “O homem é irremediavelmente religioso”, o que, em sentido mais amplo, inclui: 1) a aceitação da existência de um ser acima e além das forças da natureza; 2) um sentimento de dependência para com Deus, como aquele que domina o destino do homem; esse sentimento é despertado pelo pensamento da própria debilidade e pequenez e pela magnitude do universo; 3) a convicção de que se pode efetuar uma união amistosa e que nessa união ele, o homem, encontra segurança e felicidade. Dessa maneira, vemos que o homem, por natureza, é constituído para crer na existência de Deus, para confiar em sua bondade e para adorar em sua presença.

Esse “sentimento religioso” não se encontra nas criaturas inferiores. Por exemplo, alguém que procurasse ensinar religião ao mais elevado dos símios perderia seu tempo. Mas o mais inferior dos homens pode ser instruído nas coisas de Deus. Por quê? Falta ao animal a natureza religiosa, pois não foi feito à imagem de Deus; apenas o homem possui natureza religiosa e procura um objeto de adoração.


3. Sua existência negada

O ateísmo consiste na negação absoluta da existência de Deus. Alguns duvidam que haja verdadeiros ateus; mas, se os houver, seria impossível provar  que estejam sinceramente buscando a Deus ou que sua lógica seja coerente.

Desde que os ateus se opõem às convicções mais profundas e mais fundamentais da raça humana, cabe-lhes a responsabilidade de provar a não-existência de Deus. Não podem sincera e logicamente se declarar ateus enquanto não apresentarem provas irrefutáveis de que Deus não existe. Inegavelmente, a evidência da existência de Deus ultrapassa em muito a evidência contra sua existência. D.S.Clarke escreve:

Uma pequena prova pode demonstrar que há Deus, porquanto nenhuma prova, por maior que seja, pode atestar a não-existência dele. As pegadas de uma ave sobre uma rocha junto ao mar provariam que, em algum momento, um pássaro visitou as terras adjacentes ao Atlântico. Mas antes que alguém diga que nunca pássaro algum esteve lá, seria necessário conhecer a história inteira dessa costa, desde o começo da vida no globo terrestre. Apenas um pouco de evidência pode demonstrar que Deus existe. Antes que alguém diga que não há Deus, deve analisar todos os elementos do universo; deve investigar todas as forças mecânicas létricas, vitais, mentais e espirituais – deve ter conhecimento de todos os seres e compreendê-los completamente; deve estar em todos os pontos do espaço a um só tempo, para que, possivelmente, Deus não esteja em alguma outra parte e assim escape à sua atenção. Essa pessoa deve ser onipotente, onipresente, eterna; de fato, essa mesma pessoa deve ser Deus antes que ela afirme dogmaticamente que não há Deus.

Por mais estranho que pareça, somente Deus, cuja existência o ateu nega, teria essa capacidade de provar que não há Deus!

Outrossim, mesmo a mais remota possibilidade de existir um Soberano moral põe sobre o homem imensa responsabilidade, e a conclusão ateísta, enquanto a inexistência de Deus não for demonstrada de maneira irrefutável, é inaceitável.

Estudo extraído do livro Conhecendo as doutrinas da Bíblia/Muer Pearlman/Editora Vida