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Você tem coragem de ler a historia dEle... mesmo que sua vida mude para sempre? O Mangá Messias é todo colorido e conta a história da vida de Cristo em um estilo visual muito popular no mundo inteiro.
O estilo mangá nasceu no Japão. Lá, a palavra mangá quer dizer apenas “gibi”. Mas, fora daquele país, o conceito de mangá está vinculado ao desenho característico dos gibis japoneses, um estilo que ganhou popularidade fenomenal e se espalhou pelo mundo afora. Por meio dessa mídia estratégica, o Mangá Messias visa alcançar jovens e adolescentes — e até mesmo adultos — com a mensagem antiga do evangelho “vestida” de linguagem e visual modernos.
Diretamente das páginas do livro mais vendido do mundo... vem a história mais grandiosa que já se ouviu... sobre o homem mais polêmico que já existiu sobre a face da Terra.... e que aqui é contada no formato gráfico mais genial do planeta.
A principal motivação para este projeto é o enorme potencial do estilo mangá como ferramenta para a evangelização da geração plugada em videogame e internet.
Jesus tem olhos castanhos bem grandes, barba hirsuta e longos cabelos desarrumados, além de um ar calmo, que quase nunca se altera. Judas, por sua vez, ostenta uma cabeleira vermelha e uma franjinha que cai sobre seu olho direito. Poderia passar por um roqueiro ‘emo’ facilmente. Assim são retratados Jesus Cristo e Judas Iscariotes no recém-lançado Mangá Messias (Editora Vida Nova, 288 páginas, R$ 28,90), que mostra a vida de Jesus no estilo dos quadrinhos japoneses.

A roupagem moderna, desenhada por artistas baseados em Tóquio, é uma tentativa de levar o Novo Testamento aos adolescentes. Maria, José, Jesus e os apóstolos ganharam olhos grandes e cabelos estilosos, bem ao modo que faz cada vez mais sucesso no Ocidente ao ponto de até a Turma da Mônica, no Brasil, ganhar uma bem sucedida versão mangá. Mas a mensagem é fiel à Bíblia.
“O mangá passou por uma avaliação muito rigoroso antes de ter a publicação aprovada aqui no Brasil”, conta Larissa Vaz, gerente de marketing da editora Vida Nova, criada há 47 anos por missionários evangélicos e especializada em livros religiosos acadêmicos. O rigor é visto nos rodapés de cada página, onde estão indicados os trechos da Bíblia que correspondem aos quadrinhos.
Segundo Larissa, uma equipe de cinco pessoas participou da tradução do mangá. “Eles foram atrás de uma linguagem de gibi.” Por isso, não faltam expressões modernas nos diálogos entre Jesus e os apóstolos. E a cena em que Jesus expulsa os mercadores do templo de Jerusalém possui as onomatopeias típicas dos gibis e as linhas de velocidade tão caras ao mangá.

Antes de lançar o mangá, Larissa conta que chegou a ir a encontros em que os adolescentes fazem cosplay (se vestem como seus personagens favoritos dos mangás) para checar a receptividade à obra. Jovens evangélicos presentes nos encontros a estimularam. “Demorô”, disseram, na gíria corrente. Primeiro lançamento em quadrinhos da Vida Nova, já teve seis mil exemplares comercializados dos 20 mil colocados à venda. Mangá Messias, baseado nos evangelhos de Marcos, Lucas, João e Mateus, mostra a vida de Jesus até sua morte e ressurreição e é o primeiro de uma série de cinco volumes. A Vida Nova deve lançar ainda este ano o número 2, chamado Metamorfose, baseado nos Atos dos Apóstolos e que narra os acontecimentos após a ressurreição de Cristo.

Polêmica nos EUA
Mesmo bem aceito no Brasil por educadores, evangélicos e até padres católicos, que destacaram a fidelidade e a característica ecumênica do texto (veja quadros abaixo), Mangá Messias foi alvo, nos Estados Unidos, de pelo menos dois importantes colunistas. Bruce Wilson escreveu no mais importante site político do país, o Huffington Post, um artigo chamando o mangá de antissemita, usando como fonte o colunista Chip Berlet, analista de uma organização não-governamental que luta contra o racismo e entidades que pregam a supremacia da raça branca.
Wilson acusa o mangá de seguir o pensamento de movimentos que retratam os judeus como “não-humanos”. Sua fonte, Berlet, acha que o mangá tende a retratar os judeus como principais culpados da crucificação de Jesus ao mostrar na multidão que pede a morte de Jesus somente personagens identificáveis como judeus. “Estas imagens de judeus como os matadores de Cristo fazem o sangrento filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, parecer tímido se comparado ao mangá.”
O filme dirigido por Mel Gibson provocou a mesma polêmica na época de seu lançamento e também foi acusado de ser antissemita. Mesmo assim, foi o quinto filme mais assistido nos cinemas em todo o mundo em 2004 e o terceiro nos EUA.
Fonte: Reportagem: Jornal da Tarde/Jones Rossi /Ilustrações: Editora Vida Nova
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